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Setembro, o início das temporadas

01/09/2009

Cinemateca  retoma a programação com um ciclo dedicado ao Ambiente, em colaboração com a Fundação Calouste Gulbenkian. As entradas são gratuitas e em cada sessão (uma por mês) há convidados para comentar os filmes. O ciclo começa, no dia 15, com o filme Safe, para muitos, a obra-prima de Todd Haynes.

Dentro de momentos falarei sobre Cinema e Ambiente mas para já uma pequena amostra do filme de Haynes:

SAFE Seguro

de Todd Haynes

com Julianne Moore, Peter Friedman, Xander Berkeley, Susan Norman

Estados Unidos, 1995 – 119 min / legendado em português

Julianne Moore, numa das suas melhores criações, interpreta a figura de uma mulher que parece viver uma vida “perfeita” numa casa dos subúrbios, até ao momento em que começa a sofrer de estranhas alergias que a tornam sensível a fumos, sprays, exaustores, etc. Nem médicos nem psiquiatras conseguem ajudá -la, sendo internada num estabelecimento para “doentes do ambiente dos subúrbios”. Um filme de “terror” espiritual.

Sala Dr. Félix Ribeiro

Ter. [15] 21:30

 

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Vinho fino e chocolates

15/08/2009

vegetais-09

A propósito dos títulos dos dois últimos posts – curiosamente a remeterem ambos para produtos alimentares  e, talvez menos curiosamente, a servirem-se, também os dois, da publicidade – O Guardian  revela que as organizações Sustain  e a Food Etics Council estão a pressionar as entidades responsáveis para que os produtos alimentares incluam nos rótulos a informação sobre a pegada da água.

A ideia de que todos os produtos que consumimos têm um gasto virtual de água, e que é possível ser calculado, não é recente (surgiu nos anos 90), mas a massificação do conceito, criado por Tony Allen, galardoado com o Water Prize 2008, só há pouco tempo tem começado a fazer-se sentir. E assim, caros amigos dos animais bem temperados no prato, eis que surge mais um argumento pró-vegetarianismo. É que com 1 kg de bife estamos a consumir 16 mil litros de água (em comparação, um copo de vinho corresponde a 120 litros e um pão a 40 litros, por exemplo).

Por mais que se argumente a necessidade de proteína animal na alimentação, o carnivorismo da espécie humana, ou a alteração radical da agricultura, e por conseguinte dos recursos naturais, que a alimentação vegetariana a larga escala acarretaria, é difícil não concordar que um consumo responsável pode fazer toda a diferença.

E já que não chegamos lá pela crueldade dos métodos intensivos de criação; pela questão ética proclamada por Peter Singer, muito menos; será que o consumo responsável convence? Afinal, pensar sobre a origem da comida que está no prato será assim tão estranho? Como diz  Michael Pollan, autor de O Dilema do Omnívoro,  se toda a gente pensar de onde vem a comida consegue tomar decisões responsáveis sobre a suas ementas.

Algumas sugestões de Pollan para mudar hábitos alimentares, que nos ajudam a manter saudáveis e a cuidar do ambiente:

  • Não comer nada que as nossas avós não consigam reconhecer como comida.
  • Evitar comidas que tenham ingredientes  impossíveis de pronunciar.
  • Evitar comer qualquer coisa que não apodreça.
  • Evitar produtos que prometem benefícios para a saúde.
  • Comprar produtos nas áreas periféricas do supermercado – os perecíveis.
  • Melhor ainda, não comprar em supermercados mas sim nos mercados.

 

Ambrósio, apetecia-me algo

03/08/2009
Pormenor de uma Pacific Yurt (à esq.) e da Yurt mongol, em Arganil.

Pormenor de uma Pacific Yurt (à esq.) e da Yurt mongol, em Arganil.

diferente. Bom, na verdade a milady não poderia levar o tailleur amarelo para estas férias, mas concerteza terá uma bela toilette de montanha, ou até um fato de montar, porque não?

Chamam-lhe  “glamping”, por ser uma espécie de campismo glamouroso, porque isto de dormir numa yurt tem o seu glamour, naturalmente! Mas independentemente de nos fazer sentir um pouco nómadas, um pouco a Annemarie Schwarzenbach, o interessante deste tipo de férias, além do óbvio contacto com a Natureza (existe cenário mais bucólico do que dormir debaixo de um castanheiro?), é a preservação do meio ambiente.

Sim, não há volta a dar, ou melhor, a Terra dá voltas e mais voltas, e acabamos por ter de recorrer aos antepassados para aprender alguma coisa sobre o respeito pela Natureza. Com uma grande vantagem sobre eles: a tecnologia, que serve para aquecer a água do banho com energia solar, por exemplo, ou tratar as águas residuais.

Por isso, não há grandes justificações para não termos, cada um de nós, em consideração a  redução da pegada ecológica.

Foi você que pediu um carro eléctrico?

22/07/2009
i MiEV da Mitusbishi e Cube da Nissan, os primeiros carros eléctricos disponíveis em Portugal, o primeiro a partir do próximo ano e o segundo em 2011.

i MiEV da Mitusbishi e Cube da Nissan, os primeiros carros eléctricos disponíveis em Portugal, o primeiro a partir do próximo ano, o segundo em 2011.

Quando os veículos híbridos começaram a marcar presença nas estradas (não nas nossas obviamente), no início deste século, o sonho dos veículos eléctricos parecia uma realidade cada vez mais próxima, apesar da tentativa de “assassinato” daquela que é considerada a solução mais eficaz para a mobilidade.

Entretanto, a evolução tecnológica fez o que lhe competia: apresentou verdadeiras soluções de produção de energia eléctrica a partir de fontes renováveis e novas soluções de baterias para os veículos eléctricos; depois, as ameaças do costume tornaram-se cada vez mais ameaçadores: as alterações do clima e a constante crise petrolífera; e por último as tendências sazonais dão uma pequena ajuda: o verde, às vezes, está na moda. (Um aparte: isto tudo e a A1 continua em obras).

Por isso, e por causa das novas medidas apresentadas pelo Governo – como o Mobi. E (com vários incentivos à aquisição de veículos eléctricos e instalação de uma rede de “abastecimento” em todo o país) e a construção de uma unidade de produção de baterias de iões de lítio da Nissan em Portugal -, tudo parece indicar que o futuro começou.

Mas antes de deitar foguetes (uma coisa cada vez mais do passado, aliás) há que dar ouvidos ao presidente da APVE (Associação Portuguesa do Veículo Eléctrico), Robert Stussi: “Uma coisa é a introdução de alguns milhares de carros eléctricos em mercados privilegiados – tal como parece ser o caso anunciado em Portugal e em mais uma dúzia de países e regiões (“acordos Renault-Nissan”). Daí para uma penetração maciça no parque automóvel demora, pelo menos, uma década (até que todas as marcas ofereçam gamas de automóveis que permitam a escolha ao consumidor, que usualmente compra em média um carro em cada oito a 10 anos), faltando ainda conhecer as potenciais resistências do consumidor e todas as outras barreiras que será necessário ultrapassar”.

Home – O mundo é a nossa casa

21/07/2009

“We are living in exceptional times. Scientists tell us that we have 10 years to change the way we live, avert the depletion of natural resources and the catastrophic evolution of the Earth’s climate”.

O primeiro filme de Yann Arthus-Bertranddo,  fotógrafo, jornalista e ambientalista francês,  foi feito a partir de filmagens aéreas em 50 países.

Sobre o filme  aqui.

Da história da civilização que agora começa

10/07/2009

Amin Malouf veio a Portugal falar do seu último livro “Um Mundo sem Regras”, editado pela Difel. Apesar das alterações climáticas serem uma das preocupações reflectidas no livro, falou-se pouco do assunto tanto na Gulbenkian, onde o escritor esteve à conversa com António Vitorino, como nas entrevistas que deu.

O escritor libanês diz no livro que entrámos neste século sem bússola. Chegamos a um ponto em que a solução é unirmo-nos, ou destruirmo-nos. O mundo mudou, as nossas civilizações esgotaram-se e todas as nossas referências se alteraram nos últimos 30 anos, depois da queda do muro de Berlim.

Perante este cenário Maalouf está convencido que nada pode ser solucionado se não numa perspectiva global*. As civilizações devem fundir-se, numa coisa que ainda não se sabe bem o que é, porque “neste século já não há estrangeiros apenas companheiros de viagem”.

E os problemas do clima reflectem essa necessidade de resolução à escala global, como se tem vindo a tentar fazer desde a assinatura do protocolo de Quioto, porque tal como Maalouf refere “de todas as ameaças que nos espreitam neste século, a mais perceptível hoje, a mais estudada, a mais documentada é a que resulta do aquecimento climático, tudo leva a crer que provocará nas próximas décadas cataclismos cuja dimensão ainda não podemos avaliar(…)”. (pág. 250)

Alarmismo? talvez, o próprio escritor não põe de lado a hipótese. No entanto, depois de ter lido e estudado a fundo a questão diz-se menos céptico, até porque está convencido que as alterações climáticas podem ocorrer mais abruptamente do que se pensava até agora (o ano passado foi  possível atravessar de barco o oceano Árctico, de uma ponta a outra, e as previsões para isso acontecer apontavam os finais do século XXI).

Mais do mesmo? a verdade é que ninguém pode saber, por isso a proposta de Maalouf, (depois de considerar as duas principais atitudes possíveis face à ameaça)  é a de que se faça alguma coisa, porque na pior das hipóteses o que pode acontecer é termos – nós os que têm uma visão alarmista –  de engolir um sapo. Porque, “se nos mostrarmos incapazes de mudar os nossos comportamentos e a ameaça se tornar real, perdemos tudo; se conseguirmos mudar radicalmente os nossos comportamentos e a ameaça se revelar ilusória, não teremos perdido absolutamente nada.” (pág. 256)

Ah, mas há um pequeno pormenor: Nada pode ser solucionado sem a solidariedade entre os povos. Os países ricos têm de estar dispostos a abdicar de algumas coisas a favor dos países pobres. Só assim se pode iniciar a história de uma nova civilização.

 

*É difícil chegar a um consenso nesta matéria. Como diz Moisés Naím, director da Foreign Policy, “para os seus críticos a globalização é a causa do actual colapso financeiro a nível mundial, das crescentes desigualdades, do comércio injusto e da insegurança geral. Para os seus defensores, ela é a solução para todos estes problemas”.