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Da história da civilização que agora começa

10/07/2009

Amin Malouf veio a Portugal falar do seu último livro “Um Mundo sem Regras”, editado pela Difel. Apesar das alterações climáticas serem uma das preocupações reflectidas no livro, falou-se pouco do assunto tanto na Gulbenkian, onde o escritor esteve à conversa com António Vitorino, como nas entrevistas que deu.

O escritor libanês diz no livro que entrámos neste século sem bússola. Chegamos a um ponto em que a solução é unirmo-nos, ou destruirmo-nos. O mundo mudou, as nossas civilizações esgotaram-se e todas as nossas referências se alteraram nos últimos 30 anos, depois da queda do muro de Berlim.

Perante este cenário Maalouf está convencido que nada pode ser solucionado se não numa perspectiva global*. As civilizações devem fundir-se, numa coisa que ainda não se sabe bem o que é, porque “neste século já não há estrangeiros apenas companheiros de viagem”.

E os problemas do clima reflectem essa necessidade de resolução à escala global, como se tem vindo a tentar fazer desde a assinatura do protocolo de Quioto, porque tal como Maalouf refere “de todas as ameaças que nos espreitam neste século, a mais perceptível hoje, a mais estudada, a mais documentada é a que resulta do aquecimento climático, tudo leva a crer que provocará nas próximas décadas cataclismos cuja dimensão ainda não podemos avaliar(…)”. (pág. 250)

Alarmismo? talvez, o próprio escritor não põe de lado a hipótese. No entanto, depois de ter lido e estudado a fundo a questão diz-se menos céptico, até porque está convencido que as alterações climáticas podem ocorrer mais abruptamente do que se pensava até agora (o ano passado foi  possível atravessar de barco o oceano Árctico, de uma ponta a outra, e as previsões para isso acontecer apontavam os finais do século XXI).

Mais do mesmo? a verdade é que ninguém pode saber, por isso a proposta de Maalouf, (depois de considerar as duas principais atitudes possíveis face à ameaça)  é a de que se faça alguma coisa, porque na pior das hipóteses o que pode acontecer é termos – nós os que têm uma visão alarmista –  de engolir um sapo. Porque, “se nos mostrarmos incapazes de mudar os nossos comportamentos e a ameaça se tornar real, perdemos tudo; se conseguirmos mudar radicalmente os nossos comportamentos e a ameaça se revelar ilusória, não teremos perdido absolutamente nada.” (pág. 256)

Ah, mas há um pequeno pormenor: Nada pode ser solucionado sem a solidariedade entre os povos. Os países ricos têm de estar dispostos a abdicar de algumas coisas a favor dos países pobres. Só assim se pode iniciar a história de uma nova civilização.

 

*É difícil chegar a um consenso nesta matéria. Como diz Moisés Naím, director da Foreign Policy, “para os seus críticos a globalização é a causa do actual colapso financeiro a nível mundial, das crescentes desigualdades, do comércio injusto e da insegurança geral. Para os seus defensores, ela é a solução para todos estes problemas”.

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