Cinema e Ambiente

Agnès VARDA, La Cabane de cinéma, 2006
A ideia era tentar perceber se faz sentido existir cinema ambiental – a ver pela quantidade de festivais (na barra lateral) parece que sim – ou se o cinema é cinema, ponto final, e portanto uma arte que, como todas as outras, reflecte as tendências, as grandes questões, enfim, os problemas das épocas em que é feito.
O filme Wall-E, por exemplo, não tem intenção de passar uma mensagem ambientalista e no entanto reflecte bastante bem o problema do excesso de lixo. E, continuando no cinema de animação, os filmes do Miyazaki sem serem ambientais convivem naturalmente com os problemas do meio ambiente.
Ou seja, no fundo, um bocado como um dos mandamento de Dieter Rams para o Design, que diz “Good design is concerned with the environment”, também o bom cinema pode, e deve, ocupar-se do assunto sem parecer fanático.
Além disso, não há razões para que um filme activista não seja um bom filme, até porque como Ana Sofia Joanes, realizadora de FRESH, disse ao maisumavolta “um realizador de cinema, sobretudo um realizador de documentários tem de ser um apaixonado pelo tema que escolhe”, por isso é natural que seja, ou acabe por se tornar ao longo do processo, num activista.